Vinte Dicas Para Quem Pretende Trabalhar Ou Trabalha Com Educação Infantil



Vinte Dicas Para Quem Pretende Trabalhar Ou Trabalha Com Educação Infantil



Por: Angela Adriana de Almeida Lima


Sendo a Educação Infantil a fase inicial da vida escolar da criança, necessário se torna que os profissionais envolvidos neste processo - especialmente educadores - apresentem aspectos condizentes à realidade em questão. Certas características devem ser observadas ao se contratar este profissional e eticamente falando - ao assumir a responsabilidade de se trabalhar com crianças. Foram elencadas abaixo vinte dicas e características que um profissional deve ter para realizar um trabalho prazeroso e significativo com crianças pequenas,


1- GOSTAR DE CRIANÇAS, é imprescindível que o profissional goste de crianças , afinal nesta fase elas exigem paciência e amor a todo momento. Pressupõe-se que quem gosta de crianças, goste também de trabalhar com elas. O trabalho com pequenos requer disposição, carinho, responsabilidade e uma energia imensa proviniente somente de quem gosta do que faz.


2- AGILIDADE é uma característica de peso considerável, pois a criança corre, pula, caí, levanta, descarrega energia e se envolve em situações repentinas de risco, onde a agilidade do profissional pode evitar acidentes graves com os pequenos.


3- BOM PREPARO FÍSICO, nesta fase a maioria das brincadeiras são realizadas no chão, em rodas de conversa ou em círculos programados para as atividades, para tanto o profissional necessita de boa disposição física para sentar, levantar, pular, engatinhar, enfim participar de todas as atividades que propõe à criança. Além do que, os pequenos adoram presenciar adultos executando as mesmas atividades que eles.


4- SER ÉTICO, assuntos relacionados à instituição e suas famílias devem ser preservados. Nesta fase é comum crianças comentarem intimidades das famílias - estes casos ajudam os profissionais a conhecerem a realidade de vida da criança - e também alguém da família procurar apoio , confiando seus problemas a pessoas que trabalham na Instituição. Todavia, estes fatos somente poderão ser comentados em casos extremos- a pessoas especializadas ( Pedagogos, Psicopedagogos, Psicólogos e Assistentes Sociais) e com a aprovação da Equipe dirigente da Instituição. Tratar aos colegas com respeito e cordialidade, evitando brincadeiras desnecessárias e abusivas, afinal a criança observa o professor e o imita a todo momento.


5- SABER OUVIR OS RELATOS INFANTIS, nestes momentos o profissional poderá detectar possíveis problemas de várias naturezas, pelos quais a criança poderá estar passando - ou até mesmo sobre sua personalidade.


6- SER FIRME E AMÁVEL AO MESMO TEMPO, a criança testa o adulto a todo instante e quando percebe que está vencendo, se torna indiscilplinada e resistente às regras de convivência. Porém, a amabilidade deve ser cultivada, assim a criança se sentirá segura, afinal está em um ambiente onde todos são estranhos a ela. Então, caberá ao educador conciliar ambos aspectos, ponderando suas atitudes e conscientizando a criança sobre seus deveres, sempre que necessário.


7- RECEBER BEM OS PEQUENOS E SEUS FAMILIARES, os pais precisam se sentir seguros em relação ao local e às pessoas em que estão confiando seus filhos. Portanto, o profissional deve recebê-los sempre com cordialidade, esclarecendo suas dúvidas, tranquilizando-os em seus anseios, se disponibilzando a atendê-los quando necessitarem e utilizando estratégias que motivem a criança a gostar de ir para a instituição.


8- SER CRIATIVO, o planejamento pedagógico deverá nortear o trabalho do educador, todavia, poderá ser alterado sempre que a atividade proposta não estiver despertando o interesse da turma, para isso o profissional deverá ser criativo e tornar a atividade em questão mais prazerosa ou até mesmo lançar mão de outra atividade. Elaborar um plano de aula focado em situações cotidianas das crianças ou da Instituição, encontrando ou criando músicas, histórias, jogos, atividades e brincadeiras que enfatizem o tema do planejamento é uma ótima estratégia para um trabalho diversificado.


9- QUERER APRENDER, a todo momento surgem fatos inesperados quando o assunto é criança, e nem sempre o profissinal está preparado para resolver tudo o que acontecer, portanto, deverá ter humildade para pedir ajuda e querer aprender com os mais experientes.


10- UTILIZAR ROUPAS ADEQUADAS, caso a instituição não adote uniforme, o ideal é camiseta e calça de malha ou jeans - mais largo - para não prejudicar o desempenho das atividades, e tênis ou sandálias rasteirinhas. Roupas decotadas, saias, sandálias de salto, roupas apertadas, transparentes, miniblusas ou tomara que caia devem ser evitados, pois além de inibir o trabalho do profissional, desperta a tenção de pais, colabores, profissionais e demais pessoas envolvidas no processo.


11- NÃO DEIXAR AS CRIANÇAS SOZINHAS, ter consciência de que as crianças não podem ficar sozinhas em nenhum momento, caso tenha necessidade de se ausentar do espaço onde se encontra com a turma, peça a uma criança que chame outro profissional para assumir seu lugar temporariamente. Um segundo sozinhas, os pequenos cometem atitudes inesperadas.


12- JAMAIS DÊ AS COSTAS ÀS CRIANÇAS, ao falar com alguém na porta da sala - ou em qualquer outro espaço - jamais dê as costas às crianças, em fração de segundos acontecem muitos problemas sem que o educador esteja vendo.


13- TRABALHAR SEU TOM DE VOZ, não falar em tom áspero, irônico e volume alto - assim a criança só compreenderá suas solicitações quando as mesmas forem feitas com gritos. O ideal é manter um tom baixo e calmo, todavia caso haja necessidade de uma alteração, que não haja grito e sua mudança na tonalidade da voz..


14- GOSTAR DE MÚSICA, nesta fase a musicalização é muito utilizada. O profissional deverá gostar, conhecer e querer aprender mais e mais músicas, de preferência acompanhadas de gestos que ajudam muito no desenvolvimento infantil.


15- SABER CONTAR HISTÓRIAS, sim pois contar histórias não é ler o livro - é contar com emoção, despertando a curisidade e a imaginação da criança.


16- CONHECER AS ÁREAS DO CONHECIMENTO A SEREM TRABALHADAS: Racíocinio lógico matemático, Linguagem oral e escrita, Psicomotricidade, Áreas Perceptivas, Conhecimento Social, Áreas de expressão artística e cultural, Valores Humanos,Religiosidade, Consciência Ecológica e Conhecimento físico - elaborando seu plano de aula enfatizando todas as áreas.


17- LER E EXECUTAR A PROPOSTA PEDAGÓGICA E O REGIMENTO DA INSTITUÇÃO, assim o trabalho do profissional terá embasamento teórico e sustentabilidade pedagógica.


18- SABER ELABORAR PROJETOS DE AÇÃO PEDAGÓGICA envolvendo temas atuais, o trabalho com projetos facilita o trabalho do educador, porém, estes projetos devem ser executados com criatividade envolvendo temas de interesse das crianças e ao mesmo tempo objetivando uma conscientização sobre o tema proposto. Os projetos devem ser constantemente avaliados, caso contrário, não terão significado ao processo educacional.


19- DECORAR E REDECORAR O AMBIENTE SEMPRE QUE NECESSÁRIO, os olhos da criança se cansam com facilidade de determinadas decorações, para evitar esta situação, o ideal é utilizar cores claras, tons pastéis e desenhos acompanhados de paisagens, passarinhos, vales, árvores e flores, pois acalmam os pequenos.


20- RESERVAR UM ESPAÇO NA SALA PARA EXPOSIÇÃO DAS PRODUÇÕES DAS CRIANÇAS e convidar os demais profissionais da Instituição, bem como os familiares dos pequenos, para visitarem a exposição de trabalhos delas. Pode-se colocar um nome na exposição e um pseudônimo para o autor da obra. Expor trabalhos nos corredores de entrada da Instituição - de forma criativa, sempre identificados e relatando os objetivos- também apresenta bons resultados.


É importante ressaltar que não há receita pronta para se trabalhar em nenhum nível educacional, mas a troca de experiências tem garantido excelentes resultados aos profissionais. Entretanto, a chave do sucesso de qualquer trabalho consiste em gostar do que faz. Quando se faz o que se gosta, as barreiras se tornam transponíveis e as amarras mais frouxas.






Origem: Publique Artigos no site Artigonal.com



Perfil do Autor:

Formada em Magistério Graduada em Pedagogia com Supervisão Escolar; Especialista nas áreas de Psicopedagogia Institucional; Docência Universitária e Inspeção Escolar.Trabalho como professora de Ensino Fundamental nas redes Estadual e Municipal,ministro minicursos e palestras com os temas Respeitando e Convivendo Com as Diferenças e Bullying em diversos contextos sociais. www.angelaadriana.com.br





Projeto: Respeitando E Convivendo Com As Diferenças



Projeto: Respeitando E Convivendo Com As Diferenças



Por: Angela Adriana de Almeida Lima


O projeto visa proporcionar a todos envolvidos com Educação Infantil, subsídios para um trabalho lúdico-conscientizador a respeito das diferenças. Piaget acredita que a criança de 2 a 4 anos, se encontra na fase simbólica e neste período os jogos passam a ter uma seriedade absoluta na vida delas. Partindo deste pressuposto, neste projeto através do jogo simbólico, as crianças serão incentivadas a respeitar e conviver com vários tipos de diferenças e deficiências, a reconhecer por meio de atividades lúdicas, as dificuldades enfrentadas por deficientes físicos e visuais; a desenvolver a solidariedade, a afetividade e a compreender a importância do saber auxiliar o outro.


Wallon afirma que através da afetividade a criança demonstra seus sentimentos, desejos e necessidades. O Projeto se destina a crianças entre 3 a 6 anos, divididas em turmas, de acordo com a faixa etária e conta com o envolvimento de todos da Instituição. Seis ursinhos de pelúcia são levados à Instituição por uma senhora que necessita viajar para cuidar de um filho doente. Ela pede que as crianças cuidem deles até que possa retornar. Os ursos contam com as seguintes diferenças: deficiência física, deficiência visual, obesidade, desnutrição, raça negra e surdez - mudez. Estes bichinhos serão divididos entre as turmas e cada turminha ficará responsável por cuidar de um ou mais bichinhos- de acordo com o número de turmas da Instituição. A senhora pedirá que providencie nomes, objetos pessoais e roupas para os ursinhos, pois saiu com pressa de casa e acabou esquecendo tudo. É feita, então uma campanha para arrecadação de roupas, mochilinhas e objetos pessoais para os bichinhos. Depois, um processo eleitoral decidirá os nomes dos ursinhos. Passada esta etapa, cada criança da turma, ficará responsável por cuidar do bichinho por um dia, dentro da Instituição e levando- o para casa, juntamente com a mochilinha. Nos fins de semana os profissionais da Instituição ficam responsáveis por cuidar dos bichinhos, este fat garante que nenhuma criança maior possa desmistificar o projeto, causando transtornos à criança.


Os ursinhos são integrados em todas as atividades diárias e festividades realizadas. A cada final de semestre a senhora que levou os ursinhos reaparece e os leva para passarem as férias com ela. É importante que nestas ocasiões, também se faça uma roda da conversa, afim de diagnosticar as vivências das crianças. Ao reiniciarem as aulas, os bichinhos retornam à Instituição. O Projeto motiva também o pensar em torno do convívio com as diferenças dos profissonais em questão. Num contexto geral, temos relações interpessoais mais satisatórias dentro do contexto educativo. As diferenças não podem ser tratadas como se não existissem, nem tão pouco trabalhadas apenas quando surge algum caso na Instituição. Portanto, necessário se faz, um traballho educativo abordando este assunto que é tão importante um verdadeiro processo inclusivo pautado no respeito, na cidadania e na paz.



Origem: Publique Artigos no site Artigonal.com



Perfil do Autor:

Formada em Magistério Graduada em Pedagogia c/ habilitação em Supervisão Escolar; Especialista nas áreas de Psicopedagogia Institucional; Docência Universitária e Inspeção Escolar.Trabalho como professora de Ensino Fundamental nas redes Estadual e Municipal,ministro minicursos e palestras com os temas Respeitando e Convivendo Com as Diferenças e Bullying em diversos contextos sociais. www.angelaadriana.com.br






Benevolência



Benevolência



Por: Neuza Razza


Em um hospital, um rapaz andava pelos corredores quando viu a porta de um quarto aberta. Lá estava um senhor de idade avançada, muito doente, em sua cama, sozinho. Seu olhar profundo e triste parecia dizer: “Estou esperando que alguém venha me ver”.



O rapaz entrou no quarto, puxou uma cadeira junto à cama e com as mãos do doente entre as suas disse baixinho, só para ele ouvir:


__ Papai eu estou aqui.



O velho trêmulo voltou á cabeça, com os olhos de felicidade, sorriu para o rapaz, e tornou a fechar os olhos com um semblante de paz.



O rapaz passou a noite toda segurando e acariciando aquelas mãos quase sem vida.



Nas visitas noturnas de médicos e enfermeiras, todos ficaram admirados com a dedicação daquele jovem.



Ao amanhecer, o velho estava morto, mas trazia um semblante de imensa alegria estampada no rosto.



As enfermeiras entraram no quarto dando as condolências pela morte do seu pai.



Então ele olhou mais uma vez para o velho e disse a todos:


__Obrigado, mas ele não era meu pai.



Em seguida, saiu deixando todos surpresos por sua atitude e se perguntando: “Se ele não era o filho porque então se comportou como tal, por que passou todo esse tempo ao lado daquele senhor”.



*************************************************************************



Este texto é ótimo para incentivar a criatividade dos alunos, criando situações para o desfecho do texto.


Você pode trabalhar em grupo ou individual.


Procurar fazer com que o aluno possa criar situações diferentes para o caso.


O professor tem que ensiná-lo a criar e a pensar em novas situações e ampliar o seu vocabulário.




Você poderá fazer um roteiro para ajudá-lo.



1)- Quem você acha que é o rapaz?


2)-O que é Benevolência?


3)-O rapaz só fez por bondade?


4)-Por que ele ficou até o fim com o velho?



5)-Será que ele era mesmo seu filho?


6)- Ou seria a morte a espera do ato final?


7)- Você acha que o velho acreditou que fosse mesmo seu filho?


8)- Se você estivesse no lugar do rapaz, qual seria a sua reação?


9)-Dê uma outra solução para o mistério.




Origem: Publique Artigos no site Artigonal.com



Perfil do Autor:

Pedagoga, escritora – professora do ensino fundamental e médio.






O Cobertor



O Cobertor



Por: Neuza Razza


Um velho com seus rostos cansados, marcados por rugas profundas pelos anos de muito trabalho e sofrimento. Deu duros todos esses anos para formar seu filho advogado e sentia orgulho por ver seu esforço recompensado, ele estava formado e muito bem de vida.


Não podendo mais trabalhar e com sua esposa já falecida, foi morar com seu filho casado, e com dois netos. Sua vida ali não era fácil, era rejeitado, humilhado, criticado pela sua nora, que não queria ter trabalho ainda mais com um velho que era seu sogro e que ela não sentia o mínimo de afeto.


As brigas entre o casal eram constantes, e o alvo era sempre o velho, que a tudo ouvia, e cada vez mais tentava se isolar quando sua nora aparecia.


Ela tanto fez que o marido para não ter mais brigas tomou uma atitude.


Chamou seu velho pai e disse:


__ Pai tome esse cobertor para o senhor se abrigar e gostaria que fosse embora desta casa, não agüento mais as brigas com minha mulher.


O velho de cabeça baixa e os olhos cheios de lágrimas foi saindo, andando com passos lentos pelo peso da idade.


Ele só pensava onde iria arrumar um asilo para morar, até quando ele fosse se encontrar com sua esposa.O neto menor que tudo ouvia, com os olhos marejados de lágrimas abraça o avô e pediu:


__ Vovô, eu te amo, o senhor pode me dar à metade do seu cobertor?


O velho não entendeu o pedido, mas partiu o cobertor ao meio dando uma parte ao neto.


O menino voltou para dentro de casa e foi direto para onde se encontravam os pais.


Vendo o filho com um pedaço do cobertor perguntaram:


__Filho esse cobertor é de seu avô.


O menino com um olhar triste e cheio de mágua, com o rosto banhado de lágrimas fitando-os falou:


__ Eu pedi metade do cobertor, porque vocês irão ficar velhos e eu vou guardá-lo para lhes dar como fizeram com meu avô.






Este é um bom texto para trabalhar com os alunos em grupos ou individual.


Desenvolver a criatividade deles, fazendo com que entenda o que leram, e do que se trata o texto, criando novas situações, dando sua própria opinião sobre o texto desenvolvido.


E também dar uma conclusão pessoal do texto.



Você poderá fazer um roteiro para ajudá-los



1- O que você achou do texto?


2- Onde se passa o conto?


3- Qual o sentimento de uma pessoa de idade avançada ao ser rejeitado?


4- A nora agiu correto com o sogro?


.



5- Será que ela faria o mesmo com seu pai?


6- O que você acha da atitude do filho do velho?


7- Será que todo o esforço que o velho fez foi reconhecido por seu filho?


8- O que você achou da atitude do neto ao pedir ao avô a metade do cobertor?


9- Ponha-se no lugar do filho do velho, o que você faria numa situação dessa?


10- O que você acha que levou o menino a tomar essa atitude a favor do avô?


11- Dê uma outra solução para esse texto?


12- Dê sua conclusão pessoal do assunto que você leu?



Origem: Publique Artigos no site Artigonal.com



Perfil do Autor:

Pedagoga, escritora – professora do ensino fundamental e médio.



Plano de Curso Filosofia

COLÉGIO ESTADUAL PROF. MAGALHÃES NETO

FILOSOFIA ENSINO MÉDIO- Margarida Jansen

PLANO DE CURSO

EMENTA:

A Filosofia no ensino médio prevê uma introdução ao universo de tal disciplina, seguida, pelo estudo de temas relacionados as três áreas importantes desta: Teoria do Conhecimento, Ética e Estética.


OBJETIVOS:

· Distinguir os campos específicos para a Ética e a Política, percorrendo os pensamentos de Platão Aristóteles e Maquivel.
· Aproximar os alunos da Filosofia apresentando uma proposta de divisão histórica dos períodos filosóficos.
· Entender a superação do Mito com base na Filosofia.
· Compreender a origem do pensamento filosófico grego destacando Tales de Mileto.
· Localizar a Grécia neste contexto de mudança, ressaltando condições históricas e geográficas.
· Conhecer o pensamento de Sócrates Platão e Aristóteles, que compõe o importante legado ocidental dos mais produtivos períodos da Filosofia Grega: O antropológico e Sistemático.
· Perceber as questões que envolvem a Ética no se cotidiano.
· Refletir a polemica da estética na visão grega e na atualidade.
· Analisar as teorias contratualista, ao modelo político marxista, passando pelo idealismo e pela dialética. Hangelianos no Hobbes, Lucke, Montesquieu, Rousseau, Hagel, Max e Engels, alem de citar as revoluções burguesas e socialistas que modificaram o cenário político mundial e guardaram profunda relação com a teoria destes pensadores.
· Discutir os conceitos de Ideologia e Cidadania.
· Reconhecer os antecedentes da meta física na idade média, moderna e atualidade.
· Identificar a lógica na antiguidade, na idade média e na atualidade.
· Teorizar sujeito e a realidade.
· Desconstruir o sujeito e a realidade.


METODOLOGIA:

· Aulas expositivas (tema da Aula)
· Leitura: indicação de algumas leituras para ampliação da abordagem dos temas.
· Pesquisas: para reflexão e debates sobre fatos históricos e correntes de pensamento.
· Vocabulário: significado de conceitos chaves.
· Painéis em equipes: apresentação de painéis a partir das pesquisas vinculadas a avaliação.
· Seminários
· Outros...


AVALIAÇÃO:

Debates
Pesquisas
Produção de Textos
Charges
Painéis
Dramatizações
Interpretação de filmes
Interpretação de textos em equipes ou individuais
Provas e testes



PROGRAMAÇÃO DE CONTEÚDOS

I UNIDADE

Bem vindo a Filosofia
Grécia Antiga
Pensamento Mítico
O que é um Mito
Berço da Filosofia
Origem e desenvolvimento do raciocínio Filosófico
Tales: primeiro filósofo
Sócrates, Platão e Aristóteles.
Um questionador incômodo (Sócrates)
Discípulo ou Pensador? (Platão)
Mito da Caverna
Um grande Pesquisador? (Aristóteles)
Divergências filosóficas.


I I UNIDADE

Percepção e Conhecimento
Os sentidos e a percepção
Senso comum X conhecimento cientifico
Epistemologia
Teorias Filosóficas
Ceticismo uma revolução filosófica
Fenomenologia um olhar mais recente
Filosofia da ciência
Afinal o que é ciência?
O alcance da ciência


III UNIDADE
O que devo fazer?
Por que agir corretamente
Uma questão de ética
Dentro ou fora da lei?
Moral ou ética
Ética antiga e medieval
A busca da virtude
A medida da felicidade
Filosofias de vida
Nascimento da ética cristã
Felicidade x Dever
Ética Moderna e Contemporânea
Entre paixões deveres e valores
Senhor x escravo
Projeto de si mesmo
Ética e Vida


IV UNIDADE
Domínios da sensibilidade
Elementos de percepção
Em busca do belo
Imagens do belo
Ramos da estética
Polemica estética na Grécia antiga
Polemica moral na modernidade
Polemica vital contemporânea
Mistérios da Arte
Arte ou Indústria?
Arte e Movimento?
Obras ou produto?

Didática



COLÉGIO ESTADUAL PROF. MAGALHÃES NETO

DIDÁTICA - ENSINO NORMAL- MAGISTÉRIO

PLANO DE CURSO- Margarida Jansen



EMENTA:

Identifica educação, escola, sociedade, teoria do ensino e formação do educador.Analisa a organização do trabalho docente (aspectos teóricos e metodológicos) e os processos de construção do conhecimento e avaliação da aprendizagem.


OBJETIVO GERAL:

· Compreender a organização do trabalho docente, em seus aspectos teóricos e metodológicos, a sua função no processo de construção do conhecimento escolar, mediante demandas educacionais solicitadas pelo contexto sócio econômico, cultural e ideológico atual.


OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

· Compreender o conceito e as perspectivas da didática mediante a função social do ensino ao longo da historia, até chegar aos dias atuais, a partir das contribuições deixadas pela filosofia, antropologia, sociologia, psicologia e pedagogia;

· Compreender e analisar as diferentes concepções pedagógicas dos processos de construção do conhecimento e da aprendizagem, tomando como referencial o contexto sócio-político, cultural e educacional brasileiro atual;

· Refletir e discutir sobre as competências necessárias ao educador mediante sua função educacional frente ao contexto sócio, político, cultural e econômico da sociedade brasileira;

· Refletir e promover auto-análise do aluno enquanto educando do curso de magistério e das suas necessidades para alcançar sua formação enquanto educador;

· Compreender as diferentes perspectivas do conceito de avaliação a partir dos referencias teóricos sobre o processo de ensino aprendizagem sócio-construtivista.

METODOLOGIA:

· Exposições temáticas dialógicas;

· Apresentação de seminários didáticos com produção de relatórios;

· Atividades de Auto-avaliação dos seminários;

· Estudos reflexivos dirigidos;

· Estudos Intertextuais a partir da análise de filmes e textos

· Resenha critica de obras solicitadas;

· Produção de relatório levantamento do perfil de grupo-classe com base nas atividades de estágio realizadas durantes os estágios curriculares;

· Atividades de produção de resumos; memórias de aula;

· Análise sobre filmes (“A Missão”, “Paulo Freire”, “Nenhum a Menos”, etc...


AVALIAÇÃO:

* Debates
* Pesquisas
* Produção de Textos
* Charges
* Painéis
* Dramatizações
* Interpretação de filmes
* Interpretação de textos em equipes ou individuais
* Provas e testes


PROGRAMAÇÃO DE CONTEÚDOS
I UNIDADE

A Didática, a escola e a sociedade

* A Educação e a Didática em diferentes concepções pedagógicas;
* Pedagogia – conceitos, aspectos, divisão e objeto;
* Didática – conceito dados históricos:

Objetivo

Divisão

Didática da Escola Tradicional e Moderna

Didática e Metodologia


I I UNIDADE

* Objetivo de ensino: Importância, Níveis, Classificação, Formulação.
* Áreas: Cognitivo, Afetivo e Psicomotor;
* Conteúdo de ensino: Conceito, Seleção, Organização;
* Métodos e Técnicas de Ensino;
* Recurso de Ensino;
* Relação Pedagógica Professor – Aluno – Conhecimento;


III UNIDADE

* Planejamento de Ensino
* Conceito e Importância;
* Níveis: Preparação – Curricular – Ensino;
* Fases: Preparação , desenvolvimento- Aperfeiçoamento;
* Tipos plano curso, plano unidade, plano aula


IV UNIDADE

* Avaliação do Ensino;
* Conceito;
* Diferentes propostas e perspectivas;
* Finalidades da avaliação;
* Técnicas e Instrumentos de Avaliação.


PLANO DE ATIVIDADES AVALIATIVAS

ATIVIDADE/TEMA

Seminários Didáticos sobre Tendências Pedagógicas

Objetivo da Atividade: Estudar e compreender as perspectivas pedagógicas e sócio culturais das pedagogias de Paulo Freire, Maria Montessori, Jean Piaget, Henry Walon, Jonh Dewey, Lév Vygotsky, Celestin Freinet, em função ao processo de ensino e da aprendizagem.

AGRUPAMENTO: Equipe/dupla

REALIZAÇAO: Apresentação seqüencial

INFORMAÇOES METODOLÓGICAS:

1. A equipe deverá realizar a apresentação do seminário no tempo máximo de uma hora-aula;
2. Cada equipe deverá elaborar uma estratégia metodológica para apresentação do tema de forma dinâmica, clara e objetiva. Vale ressaltar, que as equipes que realizarem apresentações lendo o texto perderão pontuação;
3. A equipe deverá produzir um resumo do seminário em uma lauda baseado na referencia teórica indicada, podendo ser acrescentado outras fontes, desde que citados nas referencias bibliográficas:

a) O texto apresentado deverá conter as seguintes informações: título da abordagem apresentada; dissertação do tema principal e dos enfoques secundários abordados; conclusões da equipe a partir do enfoque abordado, referencias bibliográficas.

b) O texto deverá obedecer às normas das ABNT.

c) Formato de estrutura do texto: impresso em 1 via digital, disquete ou CD, a ser entregue no dia do seminário.

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO:

1) Os critérios de avaliação utilizados para o texto estão dispostos neste Plano de Curso.

2) Todos os componentes da equipe apresentarão o trabalho e serão analisados individualmente e no grupo.

3) Os critérios de avaliação da apresentação:

a) Individual: segurança e domínio de conteúdo, clareza na comunicação, organização da apresentação e integração com a equipe.

b) Coletivo: comunicação, metodologia da apresentação utilizada, exposição do tema, equipe, criatividade e avaliação de aprendizagem dos alunos.

4) A avaliação será realizada pela professora e pelos alunos numa auto-avaliação qualitativa.



ATIVIDADE/TEMA

Estudo intertextual

Objetivo da Atividade:
Refletir acerca da função do ensino e da aprendizagem na sala de aula, buscando apreender a educação para a sociedade atual a partir do estudo dos textos indicados e da analise de trechos dos filmes “A Missão”, “Paulo Freire”, “Nenhum a Menos”.

AGRUPAMENTO: Individual

REALIZAÇAO: Produção de texto em sala de aula.



INFORMAÇOES METODOLÓGICAS:

Estudo dirigido a ser entregue em sala de aula. Referencia teórica de fundamentação textos de Libâneo, Perrenoud e Meireu.

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO:

1) Os critérios de avaliação utilizados estão dispostos neste Plano de Curso;

2) Quando for percebida na atividade produzida a ocorrência de questões com respostas muito semelhantes ou iguais em diferentes trabalhos, as mesmas serão anuladas.

3) A avaliação será realizada pela professora.



ATIVIDADE/TEMA

Memória de aula



Objetivo da Atividade:

Produzir texto narrativo abordando os temas trabalhados em sala, possibilitando o resgate do conteúdo pelos alunos do tema.

AGRUPAMENTO: Dupla

REALIZAÇAO:
Será realizada uma apresentação do texto no inicio da aula.

INFORMAÇOES METODOLÓGICAS

1) Cada equipe deverá apresentar seu texto na aula seguinte com a leitura do texto construído. O mesmo deverá ter no máximo três laudas, devendo ser escrito de forma narrativa, evidenciando apresentar apenas as seguintes informações:

a) Identificação do aluno;

b) Data da observação e o tema abordado no encontro;

c) Abordagem dos conteúdos trabalhados;

d) Estratégias didáticas utilizadas para trabalhar o tema;

e) Análise das aprendizagens realizadas para vida profissional ou análise das estratégias utilizadas para abordar o tema.

f) Indicação teórica dos textos abordados na aula.

2) Esse texto deverá ser disponibilizado em formato digital, sendo entregue em CD, diskete e impressa uma cópia a ser entregue à professora no dia da apresentação.


CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO


1. A avaliação será realizada pela professora, considerando que a produção escrita será submentida aos critérios apresentados neste Plano;
2. O aluno que não estiver presente no dia da observação para construção da memória, a atividade será re-agendada, sendo convidado a fazer a atividade o aluno subseqüente.
3. O aluno que for construir a memória deverá estar na sala, pontualmente, ao inicio da aula a ser observada.


CRITÉRIOS GERAIS DE AVALIAÇÃO:

* Pontualidade;
* Qualidade e criatividade na execução dos trabalhos;
* Coerência e profundidade na abordagem temática abordada;
* Organização da estrutura textual;
* Elementos da linguagem utilizados nas produções escritas;
* Conformidade com rigor cientifico e fundamentação teórica adequada seguindo normas de produção acadêmica;
* Participação e envolvimento nos trabalhos realizados em grupo.


ATENDIMENTO EXTRA-CLASSE

Os alunos poderão estabelecer contato com a professora de forma presencial ao à distancia, segundo a disponibilidade e necessidade de esclarecimento de dúvidas, orientações para estudo e/ou pesquisa podendo ser agendados horários para atendimento presencial semanal na coordenação de estágio às sextas-feiras. Para contatos à distância através do e-mail margojansen1@hotmail.com

Ou http://margothjansen.blogspot.com

http://margothjansenaulas.blogspot.com/

O objetivo de uso deste espaço virtual é:

* Integrar e familiarizar o aluno para o uso da informática e das tecnologia de comunicação e informação ao longo da vivencia da disciplina de Didática, do curso de Magistério;
* Socializar as informações e produções desenvolvidas em sala de aula referentes à disciplina de Didática.



COLÉGIO EST. PROF. MAGALHÃES NETO

MARGARIDA JANSEN

I UNIDADE

DIDÁTICA

O vocábulo didática deriva da expressão grega Τεχνή διδακτική (techné didaktiké), que se traduz por arte ou técnica de ensinar.

Grosso modo, podemos dizer que a Didática é uma ciência cujo objetivo fundamental é ocupar-se das estratégias de ensino, das questões práticas relativas à metodologia e das estratégias de aprendizagem. Sua busca de cientificidade se apoia em posturas filosóficas como o funcionalismo, o positivismo, assim como no formalismo e o idealismo.
Sintetizando, poderíamos dizer que ela funciona como o elemento transformador da teoria na prática.

Um pouco de História

Entre os anos 20 e 50, a Didática segue os postulados da Escola Nova, que busca superar os da Escola Tradicional, reformando internamente a escola.
Nessa perspectiva, afirma a necessidade de partir dos interesses espontâneos e naturais da crianças: os princípios de atividade, individualização e liberdade estão na base de toda proposta didática. Passa-se da visão da criança como um adulto em miniatura para centrar-se nela como ser perfeitamente capaz de adaptar-se a cada uma das fases de sua evolução.
Do aluno passivo ante os conhecimentos a serem transmitidos pelo mestre passa-se ao "aprender fazendo" onde cada um se auto-educa ativamente em um processo natural, sustentado por meio dos interesses concretos dos participantes. A atenção às diferenças individuais e a utilização de jogos educativos passem a ter papel de destaque.
Em uma etapa posterior, entre os anos 60 e 80, se passa de um enfoque humanista centrado no processo interpessoal, a uma dimensão técnica que enfoca o processo ensino- aprendizagem como uma ação intencional, sistêmica, que procura organizar as condições que melhor facilitem o processo de aprendizagem. Centra-se em objetivos instrucionais, na seleção de conteúdos, nas estratégias de ensino, destacando-se palavras como produtividade, eficiência, racionalização, operatividade e controle.
A perspectiva industrial adentra na escola e a didática é vista como uma estratégia para alcançar os produtos previstos para o processo de ensino- aprendizagem. A ênfase é colocada na objetividade, racionalidade e neutralidade do processo. O referencial central da educação passa a ser a fábrica e sobre ela se constroem tanto as ações na escola como as conceitualizações referentes à educação.
Essa didática se descontextualiza dos problemas específicos da situação específica da sala de aula e não proporciona elementos significativos para a análise da prática pedagógica real, produzindo uma separação entre teoria e prática.
A partir dos anos 70 se acentuam as críticas a estas perspectivas didáticas. Seu efeito positivo foi a denúncia da falsa neutralidade pretendida pelo modelo tecnicista, revelando seus componentes político- sociais e econômicos.
Na atualidade a perspectiva fundamental da didática é assumir a multifuncionalidade do processo de ensino- aprendizagem e articular suas três dimensões: técnica, humana e política no centro configurador de sua temática.

Características dessa Didática

· partir da análise da prática pedagógica concreta e seus determinantes;

· contextualizar a prática pedagógica e procurar repensar as dimensões técnicas e humanas contextualizando-as;

· analisar as diferentes metodologias explicitando seus pressupostos, o contexto em que surgiram e a visão de homem, de sociedade, de conhecimento e de educação a que responde;

· elaborar a reflexão didática a partir da análise e reflexão sobre experiências concretas, procurando trabalhar continuamente a relação entre a teoria e a prática;

· assumir o compromisso com a transformação social, com a busca de práticas pedagógicas que tornem o ensino eficiente para a maior parte da população;

· ensaiar, analisar, experimentar;

· romper com as práticas profissionais individualistas promovendo o trabalho comum de professores e especialistas;

· buscar formas de manter as crianças na escola;

· discutir o tema do currículo e sua interação com uma população concreta e suas exigências concretas.

DIDÁTICA E CURRÍCULO

O termo currículo aparece pela primeira vez com o significado de planificação do ensino na obra de Bobbit "The curriculum" em 1918.
A princípio, didática e currículo se desenvolveram de forma paralela sem que interferência de uma no campo da outra, referindo-se cada uma a conteúdos, sujeitos e finalidades diferentes.
Somente a partir dos anos 60 o currículo começa a formar parte do campo da didática, alternando-se sua incumbência segundo predomine uma forma ou outra de entender a educação e a didática.
A tendência atual considera imprescindível uma integração entre currículo e didática, esta, favorecendo o trabalho de aula.
Os estudos curriculares tendem a aspectos mais globais, expondo como se realiza a seleção e organização do conhecimento e como esse processo de seleção não é neutro, favorecendo a certos grupos frente a outros.
O enfoque curricular há de ampliar o "que", o "porque", o "para que" e em que condições há que levar-se a cabo o ensino, mas, sempre colocando no centro de suas considerações o aluno. Para que estes conteúdos curriculares cumpram seu objetivo é necessária uma adequada seleção e uso acertado das melhores estratégias didáticas, que não poderão ser independentes co conteúdo, dos objetivos e nem do contexto. È importante para alcançar as metas pretendidas uma estreita colaboração entre a elaboração do currículo e a escolha de estratégias didáticas.

O papel da Didática

O papel da Didática na formação de professores foi muito bem tratado por Cipriano Luckesi e alguns conceitos que seguem são um resumo de seu pensamento sobre o tema.
A didática para assumir um papel significativo na formação do educador não poderá reduzir-se e dedicar-se somente ao ensino de meios e mecanismos pelos quais desenvolver um processo de ensino -aprendizagem, e sim, deverá ser um modo crítico de desenvolver uma prática educativa forjadora de um projeto histórico, que não será feito tão somente pelo educador, mas, por ele conjuntamente com o educando e outros membros dos diversos setores da sociedade.
A didática deve servir como mecanismo de tradução prática, no exercício educativo, de decisões filosófico- políticas e epistemológicas de um projeto histórico de desenvolvimento do povo. Ao exercer seu papel específico estará apresentando-se como o mecanismo tradutor de posturas teóricas em práticas educativas.

TEXTO REFLEXIVO

A Difícil Arte de Ensinar

Aquele professor não tem didática! Esta frase é constante entre os alunos secundaristas e também universitários quando comentam sobre a aula de algum professor que pode até ser um excelente pesquisador e que com certeza tem domínio de alguma disciplina mas que não consegue fazer uma ponte entre o que sabe e o aluno. Isto é comum e mostra realmente que para ser um bom professor não basta apenas saber, tem que saber ensinar, o que envolve outros requisitos além de um conhecimento profundo do conteúdo.

O ensinar não envolve apenas as práticas que o professor possui, mas também as maneiras pelas quais ele irá dispor desses conhecimentos em sala de aula. A tão comentada didática, já vem desde os tempos imemoriais dos gregos1 e significa um modo de facilitar o ensino e a aprendizagem do aluno de modos e de condutas desejáveis. Isso requer um determinado esforço por parte do educador, uma prática pedagógica bem construída, planejamento de suas aulas levando em consideração as necessidades do aluno e seus conhecimentos prévios. A preparação de quem deseja ensinar envolve conhecimentos teóricos, não apenas de física, mas também de teorias de aprendizagem, epistemologia, história e filosofia da ciência que contribuem claramente para desenvolver uma capacidade mais profunda e crítica2. Além disso, o professor não deve fazer de sua prática educacional um ato burocrático, que apenas ensina o que está nos livros, ou no currículo por ele desenvolvido, simplesmente despejando conteúdo na cabeça dos alunos, tratando-os como baldes mentais (teoria do balde mental de Popper), sem ter uma preocupação real se de fato a aprendizagem está sendo construída.

Como pode-se perceber, são muitos os requisitos que fazem a diferença entre o professor que sabe e o que sabe ensinar. Infelizmente, hoje criou-se a imagem de que qualquer um pode ensinar, basta se munir de um Bonjorno e a aula de física está garantida, o que vem banalizar muito o ensino de física nas escolas. Há pouco tempo (2 ou 3 meses atrás), a região do Vale dos Sinos abriu inscrições para contrato emergencial onde, devido à grande dificuldade de se encontrar professores de física, estavam requisitando até mesmo alunos de primeiro semestre, isso quando não são contratados profissionais de outras áreas como engenharia e biologia.

Reafirmando o que disse anteriormente, a formação de um educador não requer somente as aprendizagens cognitivas sobre os diversos campos do conhecimento, que sem dúvida é importante (porque deve-se saber para ensinar), mas também deve haver uma preparação filosófica, científica, técnica e até afetiva para o ofício de ensinar. Conhecer a história da ciência torna o ensino de física mais rico e fascinante, apresentando-a como uma ciência viva, como construção humana; conhecer um pouco mais sobre a história dos grandes cientistas ajuda a motivar os alunos para o aprendizado, aguçando o seu interesse e a sua curiosidade, mostrando-lhes que os conhecimentos não são definitivos e que ainda há muito o que se fazer e descobrir.

Os conhecimentos epistemológicos auxiliam o professor a detectar dificuldades e obstáculos que estejam impedindo a aprendizagem do aluno. As dificuldades são diferentes de obstáculo, enquanto a primeira é técnica (não saber usar alguma ferramenta matemática, por exemplo), a segunda por sua vez já se trata daquelas concepções que os alunos trazem (as chamadas concepções alternativas), que não lhes permitem apreender o significado correto de alguma teoria física. Neste sentido, conhecer os filósofos da ciência contemporâneos3 pode ajudar e inspirar o professor a encontrar estratégias didáticas que auxiliem o aluno a fazer a mudança conceitual, o que não se consegue apenas com aulas expositivas no quadro-negro e simples deduções de fórmulas.

E, apesar de tudo isso que tenho colocado, é importante salientar que um educador nunca estará definitivamente pronto, formado, pois a sua preparação e maturação se fará no dia-a-dia, na reflexão constante da sua prática.

ATIVIDADE

Em poucas linhas, digitado ou manuscrito, faça uma resenha crítica sobre o texto acima.



Mitos e Liberdade segundo Sartre

PROFª Margarida Jansen ENSINO MÉDIO- Filosofia

I – LIBERDADE: ELA EXISTE?

Liberdade - essa palavra
Que o sonho humano alimenta

Que não há ninguém que explique,
E ninguém que não entenda!

Cecília Meireles. Romanceiro da Inconfidência.

1 – Determinismo

OS MITOS DE TÂNTALO, PÉLOPS E NÍOBE

Tântalo

Tântalo era um rei rico e famoso em Sípilo, além de ser um dos filhos de Zeus; como tal, era amigo dos deuses e sempre era convidado a comer na mesa deles, no Olimpo. Porém, vaidoso, Tântalo revelou segredos dos deuses aos mortais, roubou o néctar e a ambrosia dos deuses e entregou-os a seus amigos mortais, escondeu um cão de ouro em Creta e, para testar a onisciência dos deuses, cometeu um crime terrível: matou seu próprio filho, Pélops, serviu sua carne na refeição e esperava que os deuses comessem a carne humana.

Os deuses perceberam, ressuscitaram Pélops e castigaram Tântalo da seguinte forma: em um lago, ele ficou preso com o nível da água até o seu queixo, uma sede muito forte o incomodava, mas ao tentar beber a água, o nível dela abaixava e ele nunca conseguia bebê-la. Atrás de Tântalo, belíssimas árvores carregadas de frutas tinham galhos que chegavam sobre sua cabeça, quando ele movimentava-a para cima, um vento forte afastava os galhos cheios de frutas para longe, impossibilitando Tântalo de matar sua fome. Piorando seu sofrimento, ainda havia um rochedo suspenso no ar e localizado acima de sua cabeça, deixando-o com um terrível medo da morte.

Eis o destino de Tântalo por seu crime. Por mais que ele se esforçasse e tentasse em tomar água, esta afastava-se; por mais que ele se esforçasse em tentar comer as frutas, estas também se afastavam; por mais que ele tentasse esquecer do rochedo, ele estava bem acima de si. A sede, a fome e o medo sempre venciam – o destino mostrava-se imutável: era impossível alterar a decisão dos deuses olímpicos.

A vida de Tântalo estava determinada, controlada pelos deuses. Em Filosofia, denominamos de determinismo a idéia de que somos controlados por algo ou alguém, a idéia de que temos um destino, de que ele seja inalterável e que possa estar escrito independentemente de nossa vontade. Tudo o que acontece conosco pode estar previamente definido.

Pélops

Esta idéia de que nossa vida pode estar traçada anteriormente por algo ou alguém, é vista com mais clareza na continuidade do mito: Pélops era o filho de Tântalo, morto por seu pai e ressuscitado pelos deuses, ele apaixonou-se pela princesa Hipodâmia, de Elice. O rei Enômao ouvira de um oráculo que se sua filha se casasse, ele morreria. Para evitar o casamento de sua filha, o rei anunciava uma corrida de carruagem a todos os pretendentes dela: a corrida acontecia de Pisa até o altar de Poseidon, em Corinto, e enquanto os pretendentes largavam na frente, o rei oferecia um carneiro a Zeus. Se o rei alcançasse seu oponente, podia matá-lo com sua lança; caso contrário, o pretendente poderia casar-se com Hipodâmia – assim, muitos já haviam morrido, já que os cavalos do rei, Fila e Harpina, corriam mais velozmente que o vento Norte.

Pélops era mais um concorrente e, antes da corrida, invocou Poseidon, que o atendeu e ofereceu a ele uma carruagem com cavalos alados e rápidos como flechas. Na corrida, mesmo com estes cavalos, Pélops foi alcançado por Enômao. Poseidon soltou as rodas da carruagem do rei, que caiu e morreu enquanto Pélops alcançava a linha de chegada em Corinto. De volta a Pisa, Pélops ainda salvou a princesa de um incêndio do castelo real e, enfim, casou-se com sua amada.

Dizíamos que a idéia de determinismo aparece nesta narrativa mais claramente que na primeira. Basta verificar que a previsão oracular cumpriu-se com todo o seu rigor: como perdeu a corrida, o rei seria morto e, no momento que ele cai da carruagem, a morte apresentou-se fatalmente, tal como estava determinado. No derminismo, não há como alterar o destino imposto pelos deuses: uma vez que o destino do rei era a morte, caso sua filha se casasse, ela mostrou-se fatal, inexorável.

Níobe

Níobe era orgulhosa como seu pai, Tântalo. Como rainha de Tebas, certa vez proibiu as pessoas de fazerem uma homenagem a Leto, Apolo e Ártemis alegando que ela é que deveria ser homenageada por ser filha de Tântalo, neta de Zeus e um de seus antepassados é Atlas. As oferendas foram interrompidas e todos voltaram para casa.

Leto, a deusa do destino, e seus filhos, Apolo e Ártemis, reagiram aos insultos de Níobe e prepararam uma terrível vingança: Apolo acertou, com flechas, cada um dos sete filhos de Níobe, que faziam treinos eqüestres. A notícia se espalhou e Anfíon, rei de Tebas e marido de Níobe, ao saber da notícia, suicidou-se com sua espada. Níobe, acompanhada de suas sete filhas, correu para o campo lamentando a morte de seu marido e de seus filhos; porém, continuou a gritar contra os deuses e considerando-se mais rica. Assim, novas flechas voaram em Tebas e mataram também as suas sete filhas. Sentada diante de seus sete filhos, sete filhas e marido, todos mortos, Níobe ficou paralisada de tanta dor, o vento já não conseguia fazer seus cabelos oscilarem, o sangue petrificou em suas veias: Níobe foi transformada em uma rocha, mas que ainda continuava a chorar. Por fim, uma ventania jogou a pedra pelos ares e a levou até a Lídia, onde Níobe está até hoje em uma montanha, chorando. A deusa do destino vingou-se furiosamente do orgulho de Níobe e sua tentativa de interromper o louvor aos deuses.

Os três mitos acima expressaram algumas características fundamentais da idéia de determininsmo:

- nossa vida é controlada por algo ou alguém, tal como Tântalo controlado pelos deuses no lago;

- não há como alterar o nosso destino, tal como o rei Enômao que não escapou da morte assim que Pélops venceu a corrida de carruagem.

VAMOS FILOSOFAR

1 – Procure no dicionário o significado das palavras abaixo e transcreva-os para cá.

a) destino


b) determinismo

2 – Qual foi o crime cometido por Tântalo? Qual foi o seu destino imposto pelos deuses como castigo?


3 – Qual era a previsão oracular que o rei Enômao conhecia? O que ele fazia para tentar impedi-la? Como a previsão oracular realizou-se no mito de Pélops?

4 – Como Níobe insultou os deuses? Como estes reagiram? Qual foi o destino imposto a ela como castigo?


5 – Desenhe o destino que os deuses reservaram a cada uma das personagens abaixo:

a) Tântalo

b) Enômao

c) Níobe

6 – Os três mitos que estudamos expressaram as características principais da idéia de determinismo? Quais são elas?

7 – Você acredita no determinismo? Isto é, você pensa que há algo ou alguém que determina tudo que vai acontecer na sua vida? Explique.






8 – Na música abaixo, da banda Titãs, explique qual é o destino da personagem Marvin.

TITÃS - MARVIN

Meu pai não tinha educação
Ainda me lembro, era um grande coração
Ganhava a vida com muito suor
E mesmo assim não podia ser pior
Pouco dinheiro pra poder pagar
Todas as contas e despesas do lar
Mas Deus quis vê-lo no chão
Com as mãos levantadas pro céu
Implorando perdão
Chorei, meu pai disse: Boa sorte,
Com a mão no meu ombro
Em seu leito de morte
E disse
Marvin, agora é só você
E não vai adiantar
Chorar vai me fazer sofrer.
Três dias depois de morrer
Meu pai, eu queria saber
Mas não botava nem um pé na escola
Mamãe lembrava disso a toda hora
Todo dia antes do sol sair
Eu trabalhava sem me distrair
Às vezes acho que não vai dar pé
Eu queria fugir, mas onde eu estiver
Eu sei muito bem o que ele quis dizer
Meu pai, eu me lembro, não me deixa esquecer
Ele disse
Marvin, a vida é pra valer
Eu fiz o meu melhor
E o seu destino eu sei de cor
E então um dia uma forte chuva veio
E acabou com o trabalho de um ano inteiro
E aos treze anos de idade eu sentia todo o peso do mundo em minhas costas
Eu queria jogar mas perdi a aposta.
Trabalhava feito um burro nos campos
Só via carne se roubasse um frango
Meu pai cuidava de toda a família
Sem perceber segui a mesma trilha
Toda noite minha mãe orava
Deus, era em nome da fome que eu roubava
Dez anos passaram, cresceram meus irmãos
E os anjos levaram minha mãe pelas mãos
Chorei, meu pai disse: Boa sorte
Com a mão no meu ombro
Em seu leito de morte
Marvin, agora é só você
E não vai adiantar
Chorar vai me fazer sofrer.
Marvin, a vida é pra valer
Eu fiz o meu melhor o seu destino eu sei de cor

Titãs. Titãs, 1984


PROFª Margarida Jansen ENSINO MÉDIO- Filosofia

2 – Liberdade segundo Sartre: a escolha

Tântalo e Níobe ficaram impotentes diante dos castigos que receberam. Essa impotência de mudar a situação significa ausência de liberdade? Quando não conseguimos conquistar alguma coisa dizemos: “Não somos livres”. Em outras palavras, quando conseguimos sair da situação de impotência, quando vencemos as adversidades, declaramo-nos livres; porém, quando não as vencemos, declaramo-nos não-livres.

Para pensar nesta questão, vejamos o que o filósofo francês Jean-Paul Sartre escreveu. Segundo ele, se estamos diante de um rochedo e este bloqueia nossa passagem, nós tentaremos passar por ele com uma série de técnicas, como a do alpinismo. Mesmo que não consigamos escalar o rochedo, fomos nós quem escolhemos pela escalada, foi a nossa liberdade que optou em ultrapassá-lo. O projeto era escalar, mas se não houve a realização da escalada, não deixamos de ser livres. O que Sartre apontou é que as pessoas não diferenciam o projeto da realização: o fato de não conseguirem escalar o rochedo não significa que não sejam livres, significa que são impotentes. Liberdade não é a obtenção do que se quer, o êxito de uma realização em nada importa para a liberdade.

Suponhamos que você gostaria de ir à festa de aniversário de seu amigo, mas no caminho seu carro quebrou e você talvez não consiga chegar a tempo. O fato de você não conseguir realizar seu projeto (ir à festa) não significa que você não seja livre; significa, somente, que você não consegue vencer a uma adversidade. A liberdade manifesta-se na escolha que você realiza em ir à festa. Em seguida, você escolhe em consertar o carro, mas não sabe; escolhe em procurar um mecânico, mas não encontra. Isto é, escolhe em escapar da adversidade. A liberdade, segundo Sartre, é esta “autonomia de escolha”[1] que independe da realização do projeto: “Minha liberdade de escolher não deve ser confundida com minha liberdade de obter[2]. Isto é, como fazemos escolhas a todo momento, somos livres e estamos condenados à liberdade.


VAMOS FILOSOFAR...

1 – Ao não conseguirmos realizar um projeto deixamos de ser livres? Explique.


2 – A liberdade é a obtenção daquilo que queremos, segundo Sartre? Explique.


3 – Para Sartre, como se manifesta nossa liberdade? Explique.




3– Liberdade segundo Sartre: a situação, o ser e o nada

O exemplo da festa de aniversário foi significativo: somos livres, mas nossa liberdade é exercida em meio a uma situação. O desejo é de chegar à festa; por isso que é doloroso ficar na rua com o carro quebrado, sem utensílios e sabedoria para consertá-lo, pensando na promessa que fiz a meu amigo de que estaria em seu aniversário, sem conseguir escapar do estado de coisas que me foi imposto pelos outros (um carro que não funciona).

A situação, neste caso, é a condição de estar em um lugar que não é a festa, é o fato de conviver com o problema de não cumprir o que foi prometido no passado, de não dominar as técnicas (utensílios) que possibilitariam resolver o problema, de ver o estado de coisas criados por outros não resolver meus problemas. A liberdade não é abstrata, ela é concreta e a expressão de sua concretude é a situação – as escolhas que faço para resolver meus problemas são escolhas situadas, escolhas que têm como objetivo resolver problemas concretos.

O que me faz falta é estar na festa e o meu objetivo, o meu projeto, o meu fim, é chegar a tempo nela. Minha liberdade consiste em fazer escolhas que me levem até a festa, que me tirem do lugar onde estou, com o carro quebrado: o que eu quero é trocar uma situação por outra, superar uma situação e chegar até outra, ir além de uma situação que me incomoda e realizar a que desejo, transcender a atual situação. Em outros termos, o que eu quero é acabar com a atual situação, nadificá-la. Minha escolha pretende colocar um ponto final em meus problemas, exterminá-los. Meu projeto é tornar existente minha presença na festa, torná-la real, enteficá-la, dar ser a ela.

Sartre conseguiu mostrar que nossa liberdade se exerce em situação, nadificando ou enteficando realidades em nome de um projeto que queremos realizá-lo: no problema em questão, trata-se de nadificar a situação de ficar parado com o carro quebrado e dar ser a minha participação na festa – dar fim a uma situação e iniciar outra: “A liberdade, sendo escolha, é mudança”[3].

SARTRE: A LIBERDADE SE EXERCE, EM SITUAÇÃO, PARA TENTAR CUMPRIR UM PROJETO:


VAMOS FILOSOFAR...

1 – Cite quais são os problemas que a personagem do texto enfrenta na situação acima.



2 – Segundo Sartre, a liberdade é abstrata ou concreta? Explique.


3 – Segundo Sartre, exercemos nossa liberdade ao fazer escolhas que tentam cumprir nossos projetos. Qual é o projeto da personagem do texto e o que você faria para cumpri-lo?


4 – Para Sartre, qual é a relação da liberdade com o ser e o nada?

________________________________________________________

5 – Relacionando a filosofia de Sartre sobre a liberdade ao poema da Cecília Meireles, explique porque a liberdade, ao ser uma escolha, leva algumas coisas ao nada e outras ao ser.

Ou isto ou aquilo
Cecília Meireles
Ou se tem chuva e não se tem sol,
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo nos dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

CECÍLIA MEIRELES. Poesia completa. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2001.


4 – Liberdade segundo Sartre: o problema da responsabilidade

“A conseqüência essencial de nossas observações anteriores é a de que o homem, estando condenado a ser livre, carrega nos ombros o peso do mundo inteiro: é responsável pelo mundo e por si mesmo enquanto maneira de ser”[4]. Tal é a conclusão de Sartre, vejamos como a liberdade desembocou no peso da responsabilidade sobre nós.

Sabemos que a idéia de determinismo expressa o controle de nossas vidas por parte de algo ou alguém e a impossibilidade de mudarmos nosso destino. Sabemos também que Sartre recusou a idéia de determinismo e demonstrou que somos nós quem escolhemos nossas ações e, assim, tornamo-nos livres, controlamos nossas vidas e ganhamos a possibilidade de mudá-la. Essa liberdade, como vimos, é situada, condicionada por questões concretas e, ao procurarmos resolver os problemas para realizar nosso projeto, nadificamos uma realidade e tornamos real uma outra.

Como escolhemos, realizamos projetos, acabamos com situações e criamos outras, somos nós os agentes de nossa história e da história da humanidade. Não há algo ou alguém movendo nossas vidas, não há determinismo: não há como responsabilizarmos os deuses por nossos acertos e por nossos erros. Somos nós os responsáveis pelas nossas vidas, já que somos nós que fazemos as escolhas. Se escolhemos em ir à festa, lutamos contra as adversidades e chegamos na mesma, somos os responsáveis por nossa participação; se escolhemos não ir à festa, somos os responsáveis por nossa ausência. A responsabilidade acompanha a liberdade e é inseparável dela.

VAMOS FILOSOFAR...

1 – Para Sartre, podemos responsabilizar os deuses por nossos erros e por nossos acertos? Explique.

2 – Para Sartre, é possível separar a liberdade da responsabilidade? Explique.


3 – Dê dois exemplos de escolhas que você fez, escrevendo as responsabilidades que precisou assumir.


A – TEXTO COMPLEMENTAR

LIBERDADE E FACTICIDADE: A SITUAÇÃO

“(...) O coeficiente de adversidade das coisas, em particular, não pode constituir um argumento contra nossa liberdade, porque é por nós, ou seja, pelo posicionamento prévio de um fim, que surge o coeficiente de adversidade. Determinado rochedo, que demonstra profunda resistência se pretendo removê-lo, será, ao contrário, preciosa ajuda se quero escalá-lo pra contemplar a paisagem. Em si mesmo – se for sequer possível imaginar o que ele é em si mesmo -, o rochedo é neutro, ou seja, espera ser iluminado pro um fim de modo a se manifestar como adversário ou auxiliar. Também só pode manifestar-se dessa ou daquela maneira no interior de um complexo-utensílio já estabelecido. Sem picaretas e ganchos, veredas já traçadas, técnica de escalagem, o rochedo não seria nem fácil nem difícil de escalar; a questão não seria colocada, e o rochedo não manteria relação de espécie alguma com a técnica do alpinismo. Assim, ainda que as coisas em bruto (...) possam desde a origem limitar nossa liberdade de ação, é nossa liberdade mesmo que deve constituir previamente a moldura, a técnica e os fins em relação aos quis as coisas irão manifestar-se como limites. Mesmo se o rochedo se revela como ‘muito difícil de escalar’ e temos de desistir da escalada, observemos que ele só se revela desse modo por ter sido originariamente captado como ‘escalável’; portanto, é nossa liberdade que constitui os limites que irá encontrar depois. (...) O ser dito livre é aquele que pode realizar seus projetos. Mas, para que o ato possa comportar uma realização, é preciso que a simples projeção de um fim possível se distinga a priori da realização deste vim. Se bastasse conceber para realizar, estaria eu mergulhado em um mundo semelhante ao do sonho, no qual o possível não se distingue de forma alguma do real. Ficaria condenado, então, a ver o mundo se modificar segundo os caprichos das alterações de minha consciência, e não poderia praticar, em relação a minha concepção, a ‘colocação entre parênteses’ e a suspensão de juízo que irão distinguir uma simples ficção de uma escolha real. Aparecendo desde o momento em que é simplesmente concebido, o objeto não seria nem escolhido nem desejado. Abolida a distinção entre o simples desejo, a representação que posso escolher e a escolha, a liberdade desapareceria com ela. Somos livres quando o último termo pelo qual fazemos anunciar a nós mesmos o que somos constitui um fim, ou seja, não um existente real, como aquele que, na suposição precedente, viria a satisfazer nosso desejo, mas sim um objeto que ainda não existe (...)”.

Aula e atividades de Filosofia com músicas

PROFª: Margarida Jansen

ENSINO MÉDIO- Filosofia

LIBERDADE: RAZÃO E AUTONOMIA


“Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado”
Immanuel Kant


1 – O problema da escolha sem autonomia em nossa sociedade.

Sabemos que a liberdade, como apontou Sartre, expressa-se na escolha que fazemos durante todo o tempo. Porém, talvez as escolhas que estamos fazendo estejam corrompidas, talvez estejamos agindo sob influência de interesses que não são verdadeiramente nossos. Vejamos a música abaixo para situarmos melhor o problema que expomos:

Adimirável Chip Novo
Pitty
Pane no sistema, alguém me desconfigurou
Aonde estão meus olhos de robô?
Eu não sabia, eu não tinha percebido
Eu sempre achei que era vivo
Parafuso e fluido em lugar de articulação
Até achava que aqui batia um coração
Nada é orgânico, é tudo programado
E eu achando que tinha me libertado,
Mas lá vem eles novamente e eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema
Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Tenha, more, gaste e viva
Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga...
Não senhor, Sim senhor, Não senhor, Sim senhor

Pane no sistema, alguém me desconfigurou
Aonde estão meus olhos de robô?
Eu não sabia, eu não tinha percebido
Eu sempre achei que era vivo
Parafuso e fluido em lugar de articulação
Até achava que aqui batia um coração
Nada é orgânico, é tudo programado
E eu achando que tinha me libertado,
Mas lá vem eles novamente e eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema
Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Tenha, more, gaste e viva
Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga...
Não senhor, Sim senhor, Não senhor, Sim senhor
Mas lá vem eles novamente e eu sei o que vão fazer:
Reinstalar o sistema
PITTY. Admirável chip novo, 2003.

O refrão da música compõe-se de imperativos que nos são ininterruptamente transmitidos pela televisão, pelo rádio, pela internet, pelos jornais, pelas revistas, pelos outdoors, por religiões e até pelos nossos amigos. Embora possamos passar a vida sem perceber, escolhemos entre roupas da marca A ou B, refrigerante A ou B; carro A ou B, eletrodoméstico A ou B, deus A ou B. É verdade que há uma escolha, é verdade que podemos escolher por A e não por B; porém, é verdade também que muitas vezes agimos influenciados sobre os imperativos que nos foram transmitidos.
A música expressa que as escolhas que fazemos podem estar corrompidas pelo consumismo contemporâneo, expressa que fazemos escolhas influenciadas por falsas necessidades, por interesses exteriores a nós mesmos. Isto é, a comparação feita pela música, entre nós e os robôs, retrata justamente o modo como somos “programados” a realizar escolhas que beneficiam interesses que não são necessariamente os nossos, a escolher coisas que não precisamos, a fazer coisas que podem até estar contrárias a nossos interesses. E ainda podemos aceitar estas coisas de bom grado: “Não senhor, Sim senhor, Não senhor, Sim senhor”. Caso não gostemos e fazemos algo contrário aos imperativos que nos foram transmitidos, a música mostra a saída que é usada para tudo continuar do modo como está: “Lá vem eles novamente e eu sei o que vão fazer: reinstalar o sistema”.
Portanto, o problema da liberdade em nossa sociedade é ainda um problema não resolvido, trataremos neste período justamente das escolhas que fazemos e que podem ainda não serem suficientes para sermos livres. Segundo a música, em cada um de nós é como se houvesse um chip, como se não fôssemos livres.



VAMOS FILOSOFAR...


1 – Quais são os imperativos que a música demonstra que nos são impostos ininterruptamente?
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2 – Ao escolhermos um produto de uma marca, e não de outra, após sermos convencidos por uma propaganda, somos livres? Explique.
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3 – Explique como a música, ao comparar-nos com robôs, mostra que não somos livres.
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4 – Você já foi influenciado por propagandas a adquirir algo que não tinha muita necessidade? Exemplifique e explique como sua liberdade foi afetada.
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5 – Desenhe um exemplo de propaganda que influencia as pessoas e, assim, afeta a liberdade delas.













PROFª: Margarida Jansen ENSINO MÉDIO- Filosofia


Ousar pensar: a saída de Voltaire para o problema da escolha sem autonomia em nossa sociedade.

Voltaire, filósofo francês que viveu entre 1694 e 1778, tentou encontrar uma solução para o problema que estamos discutindo, embora, seja evidente, em um contexto diferente. No Dicionário filosófico, ele escreveu um verbete intitulado “Liberdade de Pensamento”, expondo um conflito entre um general inglês (Boldmind) e um funcionário da Inquisição na Espanha (Medroso). Deste conflito, Voltaire indicou o caminho para escolhermos sem seguir interesses que não são verdadeiramente nossos. Vamos acompanhar o diálogo para encontrar esse caminho:

Liberdade de pensamento

“Boldmind: Sois, portanto, sargento dos dominicanos? Exerceis um bem vil ofício.
Medroso: É verdade; mas gostei mais de ser criado deles do que ser vítima e preferi a desgraça de queimar o meu próximo à de ser eu próprio cozido.
Boldmind: Que horrível alternativa! Éreis cem vezes mais felizes sob o jugo dos mouros que vos deixaram estagnar livremente no meio das vossas superstições e que, embora vencedores, não se arrogavam o direito inaudito de pôr as almas a ferros.
Medroso: Que quereis? Não nos é permitido escrever, nem falar, nem mesmo pensar. Se falamos, torna-se fácil interpretar as nossas palavras e mais ainda os nossos escritos. Enfim, como não podem condenar-nos a um auto-de-fé pelos nossos pensamentos secretos, ameaçam-nos de sermos eternamente queimados por ordem do próprio Deus se não pensarmos como os dominicanos. Persuadiram o governo que se possuíssemos o senso comum todo o Estado ficaria em combustão e a nação tornar-se-ia a mais desgraçada da Terra.
Boldmind: Achais que somos assim desgraçados, nós, ingleses, que cobrimos os mares com os nossos barcos e viemos ganhar para vós batalhas nos confins da Europa? Vede os holandeses que vos desapossaram de quase todas as vossas descobertas na Índia e hoje se enfileiram entre os vossos protetores: pensais que sejam malditos de Deus por haverem concedido inteira liberdade à imprensa e por fazerem o comércio dos pensamentos humanos? Foi menos poderoso o império romano por Cícero haver escrito com liberdade?
Medroso: Quem é Cícero? Nunca ouvi falar desse homem; não se trata aqui de Cícero, trata-se de nosso santo pai, o papa, e de Santo Antônio de Pádua, e sempre ouvi dizer que a religião romana está perdida se os homens começam a pensar.
Boldmind: Não cabe a vós acreditá-lo, pois estais seguro que a vossa religião é divina e que as portas do inferno não podem prevalecer contra ela. Se assim é, nada poderá destruí-la.
Medroso: Não, mas pode ser reduzida a pouca coisa. E foi por terem pensado que a Suécia, a Dinamarca, toda a vossa ilha e metade da Alemanha gemem na pavorosa desgraça de não mais serem súditos do papa. Diz-se mesmo que se os homens continuassem a guiar-se pelas suas falsas luzes acabarão em breve por ater à simples adoração de Deus e à virtude. Se alguma vez as portas do inferno prevalecerem até esse ponto, em que se tornará o Santo Ofício?
Boldmind: Se os primeiros cristãos não tivessem a liberdade de pensar, não é verdade que não existiria cristianismo?
Medroso: Que quereis dizer? Não vos entendo?
Boldmind: Acredito. Quero dizer que se Tibério e os primeiros imperadores dispusessem de dominicanos que houvessem impedido os primeiros cristãos de usar penas e tinta; se durante tanto tempo não tivesse sido permitido pensar livremente no império romano, tornar-se-ia impossível aos cristãos estabelecer os seus dogmas. Portanto, se o cristianismo só se formou pela liberdade de pensamento, por que contradição, por que injustiça desejaria aniquilar hoje essa liberdade sobre a qual está fundado?
Quando vos propõem algum negócio interessante, não o examinais demoradamente, antes de o concluirdes? Haverá no mundo maior interesse que o da nossa felicidade ou eterna desgraça? Existem sobre a Terra cem religiões e todas vos condenam à danação por acreditares nos vossos dogmas, que essas religiões consideram absurdos e ímpios; examinai, portanto, esses dogmas.
Medroso: Como posso examiná-lo? Não sou dominicano.
Boldmind: Sois homem e isso basta.
Medroso: Ai de mim! Sois bem mais homem que eu.
Boldmind: A vós apenas cabe aprender a pensar; haveis nascido com espírito; sois uma ave na gaiola da Inquisição; o Santo Ofício aparou-vos as asas mas elas podem voltar a crescer. Quem não sabe geometria, pode aprendê-la; qualquer homem pode instruir-se: é vergonhoso que se deposite a alma nas mãos daqueles aos quais não se confiaria o dinheiro. Ousai pensar por vós mesmo.
Medroso: Há quem diga que, se toda a gente pensasse por si, a confusão seria prodigiosa.
Boldmind: Pelo contrário. Quando assistimos a um espetáculo, cada qual dá livremente a sua opinião e a paz não é perturbada; se, porém, algum insolente, protetor de algum mau poeta, quiser forçar todas as pessoas de gosto a considerarem bom o que lhes parece mau, os dois partidos podem acabar alvejando-se com maçãs, como já aconteceu em Londres. São estes tiranos dos espíritos que causaram parte das desgraças do mundo. Na Inglaterra, só somos felizes desde que cada qual goze livremente o direito de exprimir a sua opinião (...)” .

O problema que temos a resolver é: como fazer escolhas que reflitam o que realmente queremos, o que realmente necessitamos, sem sermos influenciados e manipulados por outrem? Voltaire, pela personagem Boldmind, indicou que estas escolhas precisam passar pelo critério do pensamento: trata-se de ousar pensar por nós mesmos, sem aderir a nenhum projeto sem antes examiná-lo com cuidado, sem entregar nossa alma seja a quem for.


Voltaire. Estátua de 1781, Museu de São Petesburgo.


VAMOS FILOSOFAR...


1 – Qual é o problema relativo à liberdade a ser resolvido em nossa sociedade?
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2 – Que tipo de trabalho a personagem Medroso realiza, segundo Voltaire no texto Liberdade de pensamento? Como esse trabalho é classificado pela personagem Boldmind?
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3 – Existe liberdade de pensamento na Espanha sob a Inquisição? O que a personagem Medroso alega para defender o comportamento da Inquisição? Boldmind concorda com Medroso ?
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4 – Para que a personagem Medroso se tornasse livre, Boldmind aconselhou: “A vós apenas cabe aprender a pensar; haveis nascido com espírito; sois uma ave na gaiola da Inquisição; o Santo Ofício aparou-vos as asas mas elas podem voltar a crescer. Quem não sabe geometria, pode aprendê-la; qualquer homem pode instruir-se: é vergonhoso que se deposite a alma nas mãos daqueles aos quais não se confiaria o dinheiro. Ousai pensar por vós mesmo” . Explique qual deve ser o comportamento de Medroso para que ele seja livre.
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5 – Como Voltaire resolveu a questão de fazermos escolhas sem sermos livres em nossa sociedade? Você concorda com a solução dele? Explique.
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6 – Leia a letra da música abaixo e relacione-a com o texto de Voltaire para explicar se somos livres ao fazermos o que a televisão nos propõe.



PROFª: Margarida Jansen ENSINO MÉDIO- Filosofia

Televisão
Titãs

A televisão me deixou burro, muito burro demais
Agora todas coisas que eu penso me parecem iguais
O sorvete me deixou gripado pelo resto da vida
E agora toda noite quando deito é boa noite, querida.
Ô cride, fala pra mãe
Que eu nunca li num livro que um espirro fosse um vírus sem cura
Vê se me entende pelo menos uma vez, criatura!
Ô cride, fala pra mãe !
A mãe diz pra eu fazer alguma coisa mas eu não faço nada
A luz do sol me incomoda, então deixo a cortina fechada
É que a televisão me deixou burro, muito burro demais
E agora eu vivo dentro dessa jaula junto dos animais.
Ô cride, fala pra mãe
Que tudo que a antena captar meu coração captura
Vê se me entende pelo menos uma vez, criatura!
Ô cride, fala pra mãe!
TITÃS. Televisão, 1985.
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3 – Esclarecimento: a saída de Kant para o problema da escolha sem autonomia em nossa sociedade.


Kant (1724 - 1804) foi mais um filósofo que pensou nas condições de possibilidades da liberdade e, tal como Voltaire, preocupou-se em impedir que fôssemos manipulados por interesses exteriores aos nossos. Para isso, Kant aposta em um movimento do qual todos precisariam participar: trata-se de um esclarecimento que retiraria a humanidade da posição de menoridade.
Segundo Kant, encontramo-nos na posição de menoridade por não usarmos nosso entendimento da maneira que deveríamos; por covardia e preguiça, apenas orientamo-nos por razões alheias a nossa e, assim, damos origem a tutores que dizem o que devemos fazer sobre as mais variadas questões do dia-a-dia. Nosso erro, portanto, é preferir a orientação de outrem e não usarmos nosso entendimento com autonomia. Um bom exemplo desse erro é a música abaixo:



Pacato Cidadão
Skank
Composição: Samuel Rosa E Chico Amaral
Ô pacato cidadão, te chamei a atenção
Não foi à toa, não
C\'est fini la utopia, mas a guerra todo dia
Dia a dia não
E tracei a vida inteira planos tão incríveis
Tramo à luz do sol
Apoiado em poesia e em tecnologia
Agora à luz do sol
Pacato cidadão
Ô pacato da civilização
Pacato cidadão
Ô pacato da civilização
Ô pacato cidadão, te chamei a atenção
Não foi à toa, não
C\'est fini la utopia, mas a guerra todo dia
Dia a dia não
E tracei a vida inteira planos tão incríveis
Tramo à luz do sol
Apoiado em poesia e em tecnologia
Agora à luz do sol
Pra que tanta TV, tanto tempo pra perder
Qualquer coisa que se queira saber querer
Tudo bem, dissipação de vez em quando é bão
Misturar o brasileiro com alemão
Pacato cidadão
Ô pacato da civilização
Ô pacato cidadão, te chamei a atenção
Não foi à toa, não
C\'est fini la utopia, mas a guerra todo dia
Dia a dia não
E tracei a vida inteira planos tão incríveis
Tramo à luz do sol
Apoiado em poesia e em tecnologia
Agora à luz do sol
Pra que tanta sujeira nas ruas e nos rios
Qualquer coisa que se suje tem que limpar
Se você não gosta dele, diga logo a verdade
Sem perder a cabeça, perder a amizade
Pacato cidadão
Ô pacato da civilização
Pacato cidadão
Ô pacato da civilização
Ô pacato cidadão, te chamei a atenção
Não foi à toa, não
C\'est fini la utopia, mas a guerra todo dia
Dia a dia não
E tracei a vida inteira planos tão incríveis
Tramo à luz do sol
Apoiado em poesia e em tecnologia
Agora à luz do sol
Consertar o rádio e o casamento é
Corre a felicidade no asfalto cinzento
Se abolir a escravidão do caboclo brasileiro
Numa mão educação, na outra dinheiro
Pacato cidadão
Ô pacato da civilização
Pacato cidadão
Ô pacato da civilização.

Agimos como um “pacato cidadão” e somos nós mesmos os culpados da posição de menoridade em que nos encontramos. Se hoje estamos dominados por tutores, isso só aconteceu por não caminharmos com a autonomia da nossa razão. É assim que funciona o movimento proposto por Kant: deixar a pacatez de lado e pensarmos por nós mesmos sobre todas as questões que nos são pertinentes. Dessa forma, mesmo depois de alguns erros, aprenderíamos a caminhar sozinhos.
Ao invés da identificação cega com um líder político ou religioso, ao invés de seguir irrefletidamente algum órgão de imprensa, precisaríamos, no movimento proposto por Kant,
Immanuel Kant (1704-1804) pensarmos para adquirir um entendimento próprio e a partir daí, expor publicamente nossas idéias: precisaríamos espalhar nossas idéias ao nosso entorno, movimentando o uso autônomo da razão naqueles que estão vivendo conosco. Essa conduta é bem diferente da conduta do “pacato cidadão” da música, e não só é diferente, mas oposta.
Sairíamos da menoridade e findaríamos com os tutores se nós mesmos conduzirmo-nos nossas ações. Nossa liberdade constrói-se pelo uso autônomo da razão e pela sua publicidade (que aqui não deve ser entendida no sentido mercadológico, trata-se do uso público da razão). O movimento de Esclarecimento, proposto por Kant, e a ousadia de pensamento, proposta por Voltaire, encontram-se, então, na semelhança de seus objetivos e nos seus métodos: ambos anseiam a liberdade, ambos apostam na razão pra atingir este fim.

VAMOS FILOSOFAR...


1 – Kant e Voltaire têm um projeto parecido sobre a liberdade. Qual é esse projeto?
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2 – Kant propõem um movimento para acabar com a posição de menoridade em que se encontra a humanidade. Explique:

a) o que é menoridade?
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b) qual é o movimento proposto por Kant e como ele funcionaria?
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3 – Relacione a idéia de “menoridade”, de Kant, com a expressão “pacato cidadão” da música do Skank e explique se, na sua cidade, as pessoas são livres.
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4 – Segundo Kant, quais seriam as conseqüências para os tutores ao expormos nossas idéias publicamente?
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5 – Kant e Voltaire têm um método em comum para alcançar a liberdade? Qual é ele e como funciona?
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TEXTO COMPLEMENTAR

Eu, etiqueta
Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes, gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência, indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que incidência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou – vê lá – anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam,
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco da roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrine me tiram, recolocam,
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem,
meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.
Carlos Drummond de Andrade